Eu coloquei 28 frameworks de produto dentro de uma skill
A primeira versão da skill PM Especialista era simples: um arquivo com frameworks de produto, instruções de uso e exemplos.
Parecia suficiente. O Claude teria acesso a RICE, Jobs to Be Done, Opportunity Solution Tree, LNO, Playing to Win, North Star, pré-mortem, posicionamento e outros métodos. Bastaria jogar uma situação ou pergunta e esperar que ele encontrasse a resposta certa por meio de algum framework.
O resultado foi confuso. Ele misturava tudo em uma resposta só.
Diante de uma dúvida sobre priorização, citava impacto no usuário, alinhamento estratégico, esforço, risco, discovery e métricas. Às vezes mencionava RICE. Em outras, sugeria Kano, valor versus esforço ou uma combinação de vários métodos. A resposta ficava longa, cuidadosa e difícil de contestar tecnicamente.
Quando tudo parece relevante, nada ajuda a decidir o próximo passo.
Esse teste me fez mudar a estrutura da skill e começar um trabalho de curadoria. Reunir bons frameworks ampliava o repertório do modelo sem melhorar necessariamente sua capacidade de decidir. Algo parecido acontece na carreira de um product manager.
Em alguns casos, o resultado piorava. Quanto mais conceitos estavam disponíveis, mais fácil ficava produzir uma resposta que abordava tudo sem escolher nada.
A PM Especialista passou a ter um roteador central e 27 arquivos de referência. Antes de responder, a skill identifica o tipo de problema, escolhe quais arquivos consultar e deixa o restante de fora.
Onde os frameworks atrapalham
Frameworks são especialmente convincentes quando faltam dados.
O RICE transforma quatro estimativas incertas em um número. Duas casas decimais depois, uma hipótese sobre alcance parece ter a mesma consistência de uma métrica observada.
A regra que tentei criar na skill é não preencher essas lacunas. Quando faltam dados sobre alcance, impacto, confiança ou esforço, ela deve pedi-los ou trabalhar com cenários explícitos. A mesma regra vale para análises de product-market fit, North Star e outros métodos.
Frameworks não corrigem uma definição ruim. Às vezes, só dão a ela um nome conhecido.
Abandonei a ideia de manter todos os frameworks disponíveis o tempo todo por um motivo simples. Uma biblioteca funciona bem para quem já sabe o que procura, mas ajuda pouco quem ainda está tentando formular o problema. Antes de aplicar um método, o modelo precisa entender qual decisão está em jogo.
Como eu usaria a skill
O uso mais direto é levar uma decisão concreta, com números e restrições.
Temos capacidade para uma iniciativa no trimestre. Compare estas três opções, escolha um método de priorização, diga quais dados estão fracos e recomende uma delas.
Também serve para analisar um documento que já parece resolvido.
Leia este PRD e me diga qual premissa sustenta o maior número de decisões e tem menos evidência. Escolha uma forma de testá-la.
Para analisar um roadmap:
Classifique os itens pelo modelo LNO e mostre onde a pressão de stakeholder foi registrada como impacto de produto.
Ou revisar um posicionamento:
Aplique o método de April Dunford e identifique qual alternativa o cliente usa hoje, mas não aparece neste documento.
A resposta ainda depende do contexto enviado, assim como no dia a dia de qualquer PM. A skill não tem acesso ao caixa da empresa, à qualidade dos dados, às promessas feitas pelo comercial ou à relação entre os executivos. Se essas informações influenciam a decisão, precisam aparecer no contexto.
Mesmo com esses cuidados, ainda existe um risco que não dá para eliminar. Depois de escolher uma direção, alguém pode procurar entre os 27 frameworks aquele que melhor serve para justificá-la.
Acesso à PM Especialista
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Daí você lê o artigo com a voz do Chiode na cabeça. Será que o PG já faz parte da minha rotina, ou sim?