Um terço das empresas não sabe se estourou o orçamento de cloud
O Radar da Nuvem entrevistou 133 empresas brasileiras de tecnologia e chegou a um número que qualquer CFO vai querer colocar no próximo board: mais de 70% delas aumentaram os custos de nuvem em 2024, num ambiente onde o dólar subiu 13% no mesmo período, saindo de R$ 4,86 para R$ 5,50. Se seus contratos com AWS ou Google Cloud são cotados em dólar, você pagou 13% a mais por cada gigabyte de storage, cada hora de compute e cada chamada de API, mesmo que o volume de uso fosse idêntico ao de 2023.
A pesquisa, conduzida pela Samax em parceria com a Talentum Ventures, captou dados de empresas que faturam entre R$ 1 milhão e mais de R$ 100 milhões por ano, com concentração no segmento de R$ 10 a 50 milhões.
O perfil é de startups e scale-ups em crescimento: 48% têm até 50 colaboradores, cresceram entre 10% e 50% no último ano, e gastam entre R$ 100 mil e R$ 500 mil anuais com nuvem. Dentro da receita, a maioria destina entre 1% e 5% para infraestrutura de cloud, mas há uma fatia relevante que chega a 10-20%.
O número que mais chama atenção nesse perfil é o de estouro de orçamento. Pouco mais de um terço das empresas respondentes gastou mais de 5% acima do que havia planejado, e outro terço inteiro simplesmente não sabia informar se estourou ou não. Essa segunda parcela diz mais sobre o problema do que a primeira, porque quem estoura ao menos sabe onde está, quem não sabe está comprando infraestrutura no escuro.
A causa mais citada para esse descaso com os números é a forma como a responsabilidade está distribuída dentro das empresas. Em mais de 80% dos casos, o controle de custos de nuvem fica inteiramente com o time de tecnologia: desenvolvimento de software, TI e DevOps/SRE.
O financeiro participa em uma fatia pequena, que no gráfico do estudo mal aparece. Isso cria um problema de incentivos claro: a equipe que decide qual instância subir, quantos ambientes manter e se aquela Lambda esquecida vai continuar rodando não é a mesma que vai explicar o desvio de orçamento para o conselho no fim do trimestre. O time de engenharia otimiza para velocidade de entrega e disponibilidade, não para custo por transação.
Mais de 75% das empresas dizem monitorar custos internamente, geralmente pelas ferramentas nativas dos próprios provedores de nuvem. É o mesmo que monitorar o gasto do cartão de crédito pelo extrato bancário: você vê o que foi cobrado, mas não vê por que foi cobrado, nem se havia uma alternativa mais barata. Grafana e New Relic aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, mas ainda assim com baixa penetração. Só 22% das empresas acredita que seus custos estão no nível certo.
O que as empresas mais bem gerenciadas fizeram na prática é descrito em detalhes no depoimento de Rodrigo Nascimento, co-fundador e CTO da Rocket.Chat, que segundo o relatório reduziu os custos de cloud pela metade em 2025.
Criou tags para atribuir custo por componente,
Designou uma pessoa central para consolidar os orçamentos,
Implementou responsabilização por área.
A Rocket.Chat tinha múltiplas equipes usando a mesma infraestrutura sem saber o que custava cada pedaço. Quando esse mapeamento ficou visível, ficou mais fácil cortar o que não gerava valor. O Mateus Barbosa, CTO do Grupo Goold, detalhou um caminho parecido: alertas progressivos baseados em percentual do orçamento mensal e detecção de picos anômalos, o que eliminou surpresas de final de mês.
O autoscaling é a prática mais adotada entre as empresas do estudo, presente em mais da metade dos respondentes. Instâncias reservadas e spot aparecem em segundo lugar, seguidas por revisão de contratos e cancelamento de serviços que haviam se tornado opcionais. Práticas mais sofisticadas, como migração entre provedores e implementação de multi-cloud deliberada para arbitragem de preço, ainda são raras.
Menos de 30% das empresas chegou até esse nível.
A maioria dos servidores está nos Estados Unidos, o que os próprios organizadores do estudo estimam custar praticamente o dobro em comparação à hospedagem no Brasil. A Magalu Cloud, um dos apoiadores do relatório, oferece precificação em reais, o que elimina a exposição cambial, mas a empresa ainda não aparece com participação expressiva nas respostas.
O que está no Brasil aparece em segundo lugar no gráfico de localização, com folga considerável para os EUA. A justificativa mais comum para manter servidores nos EUA são requisitos regulatórios e latência para usuários locais, mas o relatório não quantifica quantas das empresas têm de fato essa restrição regulatória real contra quantas simplesmente nunca revisitaram a decisão.
A IA entra no relatório como uma variável que a edição de 2026 vai tentar medir com mais profundidade. O estudo de 2025 ainda não captura quanto do crescimento de custos de cloud está sendo puxado por workloads de machine learning e inferência, que são estruturalmente mais caros do que compute convencional. Quando o LLM da sua empresa processa um documento, ele não está rodando numa instância EC2 padrão, está usando GPUs que custam entre cinco e dez vezes mais por hora do que a CPU equivalente. Se a maioria das empresas do estudo já não sabe de onde vem o custo atual de cloud, a chegada dos workloads de IA vai tornar essa opacidade consideravelmente mais cara.
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