Na Hatch Conference, Jenny Wen, design lead na Anthropic e ex-diretora de design da Figma, simulou o processo perfeito: pesquisa com usuário, persona com foto gerada por IA e nome fictício, mapa de jornada emocional, brainstorm de problemas, problem statement no formato "como eu posso", brainstorm de soluções, wireframes em baixa, wireframes em alta, teste com usuários.
Podemos concluir que ela está falando para seus pares, pessoas cujo currículo e nome chegam antes e são automaticamente validados. Dentro desse contexto, a fala faz sentido.
Diante disso, fica a reflexão: se esse discurso começa a ser absorvido sem filtro por formações e por novos profissionais, pode acabar enfraquecendo a base metodológica da área, colocando conhecimento empírico na frente do processo, e prejudicando a maturidade do design de produto a longo prazo.
O engraçado é que eu, e sei que uma galera aqui, olha e pensa: Nossa, isso é fantástico. Estou dentro! Mas ai paro e penso no meu percurso até aqui. Fui desenvolvedor, trabalhei com frontend, nas equipes (squads not!) pelas quais passei tive o privilégio de estar lado a lado com excelentes designers, UX, UI, e para mim é fácil construir algo relevante (modéstia?) e escalável.
Penso no Enzo e na Valentina que acabou de sair da faculdade (se fez), que acha que sabe tudo de tudo, pega uma ferramenta dessa e sai fazendo. Num primeiro momento, funciona, o usuário utiliza. Ai passa o tempo algo apresenta uma fricção ali, uma funcionalidade não mexe o ponteiro aqui, uma reclamação do cliente que (segundo o builder) não faz sentido. E assim vamos caminhando.
Quem faz software, ou curso, ou de alguma forma ganha dinheiro, para esse fim vai aproveitar para surfar. E nessa hora me pergunto, se fosse tão simples porque VBasic e Delphi não cairam no gosto do mundo corporativo para durarem até hoje? Foi só mudança para web/mobile? Fica a provocação.
PS: Birra geracional? Provavelmente. Mas confesso que em outros cenários, parecidos, paguei muito boleto corrigindo e refazendo sistema de quem achou que sabia e saiu fazendo.
O design virou uma ciência forense: passamos mais tempo documentando o "crime" do que criando a solução. O processo virou um mecanismo de defesa burocrático onde o artefato é o produto, e a interface, um apêndice. Precisamos parar de trocar intuição por checklist e entender que o excesso de metodologia é, muitas vezes, apenas insegurança institucional travestida de rigor. Menos teatro de post-it, mais entrega de valor real.
Podemos concluir que ela está falando para seus pares, pessoas cujo currículo e nome chegam antes e são automaticamente validados. Dentro desse contexto, a fala faz sentido.
Diante disso, fica a reflexão: se esse discurso começa a ser absorvido sem filtro por formações e por novos profissionais, pode acabar enfraquecendo a base metodológica da área, colocando conhecimento empírico na frente do processo, e prejudicando a maturidade do design de produto a longo prazo.
O engraçado é que eu, e sei que uma galera aqui, olha e pensa: Nossa, isso é fantástico. Estou dentro! Mas ai paro e penso no meu percurso até aqui. Fui desenvolvedor, trabalhei com frontend, nas equipes (squads not!) pelas quais passei tive o privilégio de estar lado a lado com excelentes designers, UX, UI, e para mim é fácil construir algo relevante (modéstia?) e escalável.
Penso no Enzo e na Valentina que acabou de sair da faculdade (se fez), que acha que sabe tudo de tudo, pega uma ferramenta dessa e sai fazendo. Num primeiro momento, funciona, o usuário utiliza. Ai passa o tempo algo apresenta uma fricção ali, uma funcionalidade não mexe o ponteiro aqui, uma reclamação do cliente que (segundo o builder) não faz sentido. E assim vamos caminhando.
Quem faz software, ou curso, ou de alguma forma ganha dinheiro, para esse fim vai aproveitar para surfar. E nessa hora me pergunto, se fosse tão simples porque VBasic e Delphi não cairam no gosto do mundo corporativo para durarem até hoje? Foi só mudança para web/mobile? Fica a provocação.
PS: Birra geracional? Provavelmente. Mas confesso que em outros cenários, parecidos, paguei muito boleto corrigindo e refazendo sistema de quem achou que sabia e saiu fazendo.
O design virou uma ciência forense: passamos mais tempo documentando o "crime" do que criando a solução. O processo virou um mecanismo de defesa burocrático onde o artefato é o produto, e a interface, um apêndice. Precisamos parar de trocar intuição por checklist e entender que o excesso de metodologia é, muitas vezes, apenas insegurança institucional travestida de rigor. Menos teatro de post-it, mais entrega de valor real.